Garrincha
1953 a 1965
Ponta-direita
Um médico olhou aquele menino de Pau Grande e o classificou como inválido. A perna direita era seis centímetros mais curta que a esquerda, as duas encurvadas para o mesmo lado, a bacia torta, os olhos estrábicos. O Vasco recusou. O São Cristóvão também. Quando ele finalmente apareceu em General Severiano, em 1953, quem estava do outro lado no treino era Nilton Santos, o melhor lateral-esquerdo do mundo, e o que aconteceu ali entrou para o folclore do clube: Nilton foi até a diretoria e mandou contratar o garoto, porque não queria nunca mais enfrentá-lo.
O apelido tinha vindo da irmã Rosa, que o chamava assim desde os quatro anos por causa de um passarinho comum na região. Manuel Francisco dos Santos virou Garrincha antes de virar qualquer outra coisa.
Doze anos de Botafogo, 245 gols, mais de seiscentos jogos. Os números dizem pouco sobre o que ele fazia. Garrincha não driblava para passar, driblava para voltar e driblar de novo. Marcadores inteiros da história do futebol foram construídos e destruídos numa tarde só, e nenhum deles conseguiu explicar direito o que tinha acontecido. Numa excursão ao México, o público começou a gritar ô-lê a cada vez que ele passava pelo lateral argentino do River, e foi assim, num jogo do Botafogo, que nasceu o grito que hoje se ouve no mundo inteiro.
Tricampeão carioca com o clube, em 1957, 1961 e 1962. Bicampeão do mundo pela Seleção, em 1958 e 1962. Na Suécia, na estreia contra a União Soviética, driblou o lateral Kuznetsov tantas vezes que chegou a estender a mão para ajudá-lo a se levantar antes de continuar. No Chile, quatro anos depois, com Pelé lesionado, ele simplesmente ganhou a Copa sozinho: quatro gols em dois jogos, eleito o melhor do torneio.
A vida cobrou tudo o que a alegria adiantou. Garrincha morreu em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, de cirrose. O cortejo saiu do Maracanã e foi até Pau Grande com o povo na rua o caminho inteiro. No túmulo mandaram escrever a frase que resume o que ele foi: aqui descansa em paz aquele que foi a Alegria do Povo.
Eduardo Galeano escreveu que, em toda a história do futebol, ninguém deixou mais gente feliz. Didi, que jogava ao lado dele, contou de um jeito mais simples: fazia o lançamento e já dava vontade de rir, porque sabia o que vinha depois.
- Foi recusado pelo Vasco e pelo São Cristóvão antes de chegar ao Botafogo, por causa das pernas tortas e do desvio de coluna.
- O grito de olé nasceu num jogo do Botafogo no México, quando a torcida passou a gritar a cada drible dele em cima do lateral do River Plate. Quem contou a história foi João Saldanha, que estava lá.
- Nas quartas de final da Copa de 1962, um cachorro invadiu o campo e urinou na camisa do inglês Jimmy Greaves. Garrincha levou o cachorro para casa, batizado de Bi.
- Em 1958, cansado de ser driblado num treino da Seleção, Nilton Santos deu um soco na barriga dele. Garrincha só reclamou que a barriga tinha ficado vermelha.
- Em 1998, a FIFA o escolheu para a seleção de todos os tempos.
- Existe um documentário de 1963 sobre ele, Garrincha, Alegria do Povo, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, feito quase todo com imagens de arquivo.
gols pelo clube
bicampeão mundial
cariocas em 57, 61 e 62
a diferença entre as pernas
Nilton Santos
1948 a 1964
Lateral-esquerdo
Existe um jeito simples de medir o tamanho de Nilton Santos: o Dia do Botafogo não é a data de fundação do clube, é 16 de maio, aniversário dele. Foi sancionado em 2007, e ninguém achou estranho, porque para o torcedor alvinegro aquele homem e o clube são a mesma coisa.
Ele jogou dezesseis anos e nunca vestiu outra camisa profissional. São 723 jogos, o recorde da casa, entre 1948 e 1964, com quatro campeonatos cariocas e dois Torneios Rio-São Paulo. Chamavam-no de Enciclopédia, e o apelido não era elogio vago: Nilton Santos sabia o jogo inteiro, o dele e o dos outros, e explicava tudo em campo enquanto jogava.
A revolução que ele fez tem nome técnico e consequência prática até hoje. Antes dele, lateral era defensor e ficava atrás. Nilton subia, participava da construção e voltava, e provou que dava para fazer as duas coisas sem trair nenhuma. Na Copa de 1958, contra a Áustria, saiu jogando do próprio campo, atravessou o gramado inteiro e marcou. Vicente Feola gritava da beira para ele voltar, e só parou de gritar quando a bola entrou.
Quatro anos depois, no Chile, deu a aula de malandragem que os mais velhos ainda contam. Cometeu a infração dentro da área contra a Espanha e, antes de o árbitro chegar, deu dois passinhos discretos para fora. Pênalti virou falta. Foi bicampeão do mundo, em 1958 e 1962, e a FIFA o elegeu o melhor lateral-esquerdo do século XX.
Foi ele quem exigiu a contratação de Garrincha depois do primeiro treino, e foi ele também quem, anos depois, dizia que na sua frente Garrincha só pedia copo d'água. Cuidava dos companheiros como cuidava do jogo. Na concentração da Copa de 1954, contrabandeou comida nos bolsos do casaco para Didi, que estava em greve de fome porque proibiram a visita da mulher.
Morreu em 27 de novembro de 2013, aos 88 anos, de infecção pulmonar, depois de anos convivendo com Alzheimer. O clube publicou uma nota que o torcedor guardou: tão adorado quanto Garrincha, tão respeitado quanto Pelé. Em 2015, o estádio do Engenho de Dentro passou a se chamar Nilton Santos, e agora todo domingo de jogo o nome dele volta a ser dito por milhares de pessoas ao mesmo tempo.
- O Dia do Botafogo é 16 de maio porque é o aniversário dele, e não a data de fundação do clube. A lei estadual é de 2007.
- Jogou por um único clube profissional em toda a vida, o Botafogo.
- Em 1950 estava no elenco do Maracanaço, mas não entrou em campo. Contava depois que saiu em direção ao vestiário com o jogo empatado e não viu o gol de Ghiggia.
- A frase dele sobre as travas arredondadas da chuteira, quando o criticavam: eu não dou bico na bola.
- Foi eleito pela FIFA o melhor lateral-esquerdo do século XX, entrou no FIFA 100 em 2004 e recebeu o Golden Foot Legends Award em 2009.
- Segundo relato guardado pelos companheiros, Garrincha nunca bebeu na frente dele. Na presença de Nilton Santos, pedia sempre um copo d'água.
jogos, recorde do clube
anos, um só clube
bicampeão mundial
o Dia do Botafogo é o aniversário dele
Didi
anos 50
Meia
Aos catorze anos, uma infecção no joelho quase custou a perna direita de Waldir Pereira. Os médicos falaram em amputação. Ele saiu daquela cama e virou o homem mais elegante que já pisou num campo brasileiro, a ponto de os narradores da época dizerem que ele jogava de terno.
O Botafogo o comprou do Fluminense em março de 1956, por 1.757.000 cruzeiros, uma fortuna para a época. Ficou até 1965, em três passagens, com 313 jogos e 114 gols, e foi tricampeão carioca em 1957, 1961 e 1962. Nelson Rodrigues, que gostava de batizar as pessoas, o chamou de Príncipe Etíope, e o apelido pegou porque descrevia exatamente o que se via: um jogador que nunca corria mais do que o necessário e nunca chegava atrasado em lugar nenhum.
A invenção que ele deixou para o mundo tem nome de outono. A folha seca é uma cobrança de falta em que a bola sobe, passa por cima da barreira e despenca de repente, como uma folha que se solta do galho. O próprio Didi explicava sem mistério: cortava a bola, pegava no meio dela e fazia subir e cair. Juninho Pernambucano e Cristiano Ronaldo aprenderam depois. Ele fez primeiro.
A folha seca mais importante da história saiu em 21 de abril de 1957, no Maracanã lotado, contra o Peru. O Brasil precisava vencer para ir à Copa da Suécia, o jogo de ida tinha terminado empatado, e aos onze minutos Didi cobrou a falta que enganou o goleiro Asca e classificou o país. No ano seguinte, na Suécia, ele foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo. Em 1962, no Chile, foi bicampeão.
Havia marcado, sete anos antes, o primeiro gol da história do Maracanã, em 16 de junho de 1950, aos vinte e um anos. Poucos jogadores conseguem estar no começo e no auge de tanta coisa.
Depois de pendurar as chuteiras virou treinador e rodou o mundo, passando por Peru, México, Argentina, Turquia e Arábia Saudita. Em 1970 estava no banco do Peru quando o time enfrentou o Brasil nas quartas de final, e tinha classificado os peruanos deixando a Argentina fora da Copa.
Morreu em 12 de maio de 2001, aos 72 anos, por complicações de um câncer. Contam que reclamava, nos últimos anos, de não ver mais ninguém cobrando falta como ele cobrava. Seu sonho era ensinar a folha seca a algum garoto. Nunca achou o aluno certo, e por isso o gesto continua sendo dele.
- Aos catorze anos quase teve a perna direita amputada por causa de uma infecção grave no joelho.
- Marcou o primeiro gol da história do Maracanã, em 16 de junho de 1950.
- Foi contratado do rival Fluminense, que colocou o passe dele à venda pouco depois de renovar o contrato.
- Foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 1958, na Suécia.
- Ganhou duas Copas da Europa pelo Real Madrid, em 1959 e 1960, e mesmo assim conta que foi um período infeliz, com boicote dentro do elenco.
- Entrou no Hall da Fama da FIFA em 1999.
- Como técnico, classificou o Peru para a Copa de 1970 eliminando a Argentina, e acabou enfrentando o Brasil nas quartas de final.
jogos pelo clube
gols pelo clube
a folha seca que levou o Brasil à Copa
melhor jogador da Copa do Mundo
Jairzinho
anos 60 e 70
Atacante
Ele entrou em General Severiano em 1958 para pegar bola atrás do gol. Era gandula, tinha treze anos, e do lugar onde ficava dava para ver Garrincha, Didi e Nilton Santos treinando todo dia. Seis anos depois estava jogando ao lado deles. Doze anos depois herdaria a camisa 7 de Garrincha, que é o tipo de herança que ninguém quer receber e quase ninguém consegue carregar.
Jair Ventura Filho carregou. São 412 jogos e 189 gols pelo Botafogo, entre o começo dos anos 60 e 1974, com dois campeonatos cariocas seguidos, em 1967 e 1968, duas Taças Guanabara e a Taça Brasil de 1968, o primeiro título nacional da história do clube. Foi eleito o melhor jogador do Carioca duas vezes e do Torneio Rio-São Paulo outras duas.
O jeito dele não era o de Garrincha, e ele nunca fingiu que era. Onde Garrincha desmontava o marcador com uma queda de ombro, Jairzinho passava por cima. O próprio clube o descreve como forte como um touro, e o que se via era isso: arrancada, ombro, velocidade e um chute que não precisava de ângulo. Alf Ramsey, o técnico inglês campeão do mundo em 1966, disse depois que nem Pelé era tão difícil de marcar quanto ele.
Em 1970, no México, aconteceu o que nunca mais aconteceu com um brasileiro: marcou nos sete jogos da Copa, da estreia à final. Virou o Furacão da Copa e terminou artilheiro do Brasil no torneio, com sete gols. O terceiro gol da final contra a Itália, aquele que sai do lançamento de Gérson e da cabeça de Pelé, morre nos pés dele.
Antes disso houve uma tarde no Maracanã que os mais velhos ainda repetem de cor. Em 15 de novembro de 1972, dia em que o Flamengo comemorava 77 anos, o Botafogo venceu o rival por 6 a 0, e Jairzinho fez três. Do outro lado, no banco rubro-negro, estava Zagallo, que fora seu técnico no bicampeonato carioca.
Voltou ao clube em 1981 para encerrar a carreira em casa. Continua por perto até hoje: vestiu o Manequinho depois do Brasileirão de 2024, entrou como porta-bandeira na final da Libertadores em Buenos Aires e virou embaixador do clube em 2025. Aos oitenta anos, ainda aparece no CT para ver treino, e sempre repete a mesma coisa em entrevista, que o Botafogo é uma realidade e é campeoníssimo.
- Entrou no Botafogo em 1958 como gandula em General Severiano, vendo de perto os treinos de Garrincha, Didi e Nilton Santos.
- Herdou a camisa 7 de Garrincha.
- É o único brasileiro a marcar em todos os jogos de uma Copa do Mundo, os sete de 1970.
- Em 15 de novembro de 1972, aniversário do Flamengo, fez três gols na goleada por 6 a 0 no Maracanã.
- Foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1963 e eleito o 27º melhor jogador do século XX pela revista World Soccer.
- Virou treinador depois de parar, comandou a seleção do Gabão em 2015 e é pai do técnico Jair Ventura.
- Vestiu o Manequinho na conquista do Brasileirão de 2024 e foi nomeado embaixador do clube em janeiro de 2025.
jogos pelo clube
gols pelo clube
marcou em todos os jogos da Copa de 1970
a Taça Brasil, primeiro título nacional
Zagallo
1958 a 1965
Ponta-esquerda
Quando Zagallo chegou ao Botafogo, em 1958, o time já tinha Garrincha de um lado e Nilton Santos do outro, e não parecia sobrar lugar para um ponta-esquerda de um metro e sessenta e sete que corria mais do que driblava. Sobrou. E o lugar que ele criou para si mudou o futebol.
A ideia era simples e ninguém fazia: sendo atacante, ele voltava para marcar, recuava até quase o meio-campo e transformava o 4-2-4 em 4-3-3 quando a bola estava com o adversário. Gérson contava o que ouvia dele em campo, que ia à linha de fundo, fazia o que tinha que fazer, mas em troca voltava para marcar, coisa que os outros não faziam. Só o Botafogo jogava assim no Brasil, e a Seleção jogou assim para ganhar o mundo.
Como jogador foram cerca de trezentas partidas de alvinegro, entre 1958 e 1965, com os cariocas de 1961 e 1962, os Torneios Rio-São Paulo de 1962 e 1964 e o Torneio de Paris de 1963. Chamavam-no Formiguinha, apelido que as fontes explicam de três jeitos diferentes, todos convergindo na mesma imagem: um homem pequeno que cobria o campo inteiro sem parar.
Em 1966 ele pendurou as chuteiras e começou, ali mesmo em General Severiano, a maior carreira de treinador que o futebol brasileiro já teve. Foi campeão carioca em 1967 e 1968 e ganhou a Taça Brasil de 1968, o primeiro título nacional do clube. Em 7 de agosto daquele ano dirigiu a Seleção contra a Argentina no Maracanã com nove titulares do Botafogo em campo, e o Brasil venceu por 4 a 1 sob o olé da torcida. Chamaram aquele time de SeleFogo, e o nome nunca mais se repetiu.
Depois vieram a Copa de 1970 como técnico, a de 1994 como coordenador e a de 1998 de volta ao banco. Virou o Velho Lobo. Em 1997, depois de ganhar a Copa América em La Paz sob críticas, olhou para a câmera e disse a frase que o país inteiro decorou, que os críticos iam ter que engoli-lo.
Morreu em 5 de janeiro de 2024, aos 92 anos, de falência múltipla de órgãos. Doze dias depois o Botafogo entrou em campo com o rosto dele no peito da camisa, e a marca escolhida para a temporada dizia tudo em uma palavra torta e perfeita: Zagallo E13rno.
- Foi o primeiro jogador brasileiro a conseguir passe livre, e foi assim que pôde ir para o Botafogo em 1958.
- Ganhava mais que Garrincha no Botafogo, justamente por causa da função tática que só ele fazia.
- Recebeu um prêmio por passar uma década inteira sem ser expulso de campo.
- Começou a carreira de treinador no Botafogo, em 1966, e ganhou ali o primeiro título nacional da história do clube.
- A obsessão pelo número 13 vinha da devoção da esposa a Santo Antônio, cujo dia é 13 de junho. Ele gostava de lembrar que 1958 e 1994 somam 13, e que Brasil campeão tem treze letras.
- Foi o último sobrevivente dos titulares brasileiros da final da Copa de 1958.
- Na estreia de 2024, dias depois da morte dele, o Botafogo entrou em campo com a marca Zagallo E13rno na camisa.
jogos como jogador do clube
campeão carioca com a camisa
campeão carioca como técnico
a Taça Brasil, primeiro título nacional
Gérson
1963 a 1969
Meia
Chamavam-no de Papagaio muito antes de existir a Canhotinha de Ouro. O apelido nasceu nos juvenis do Flamengo e explicava o essencial: Gérson falava o tempo inteiro dentro de campo, mandava, corrigia, brigava, e não engolia desaforo de ninguém. Quando chegou ao Botafogo, em 1963, herdou nada menos que a vaga de Didi no meio-campo, e o clube ganhou o que passou a chamar de técnico dentro do campo.
Ficou até 1969 e foi bicampeão carioca, em 1967 e 1968, com duas Taças Guanabara, dois Torneios Rio-São Paulo e a Taça Brasil de 1968. Era o cérebro daquele time, o homem que decidia quando o jogo devia acelerar e quando devia respirar.
O gesto que ficou é o lançamento. O próprio clube descreve com uma imagem que dispensa vídeo: era capaz de colocar a bola no peito de um atacante a quarenta metros de distância. Quem viu diz que os passes dele pareciam feitos com a mão, de tão precisos. Foram esses lançamentos que transformaram Jairzinho e Roberto em artilheiros, e é por isso que se diz, com justiça, que metade dos gols daquele Botafogo começava no pé esquerdo dele.
Em 7 de agosto de 1968, no Maracanã, ele foi um dos nove jogadores do Botafogo que começaram a partida da Seleção contra a Argentina, o SeleFogo que venceu por 4 a 1 com a torcida gritando olé.
E aí veio 1970. Na final contra a Itália, no Azteca, Gérson puxou para a esquerda aos vinte e um minutos do segundo tempo e soltou a canhota da entrada da área, um chute cruzado que morreu no canto e fez o segundo gol do Brasil. Cinco minutos depois veio o lançamento que atravessou o campo inteiro, achou a cabeça de Pelé e terminou com Jairzinho empurrando para dentro. Foi eleito o segundo melhor jogador da Copa.
Nunca quis ser treinador. Virou comentarista, terminava as frases com um tá certo que virou marca, e passou décadas explicando ao país que a tal Lei de Gérson não era invenção dele: o comercial de 1976 falava de vantagem no preço, e foi um jornalista, doze anos depois, quem transformou aquilo em teoria moral.
Em 26 de junho de 2019, quando o Botafogo o fez sócio-honorário, ele chorou no meio do discurso e disse o que o torcedor guarda até hoje. Que ainda podia se emocionar, porque estava na sua casa. Que nunca deveria ter saído, e que por ele não teria saído. E que teve uma carreira gloriosa, que não teria sido tão gloriosa se ele não tivesse vestido a camisa do Glorioso.
- O apelido de infância era Papagaio, dado nos juvenis do Flamengo porque falava sem parar e não engolia desaforo.
- Chegou ao Botafogo em 1963 para ocupar a vaga de Didi no meio-campo.
- A Lei de Gérson não foi criada por ele. O comercial é de 1976 e falava de vantagem no preço; a expressão foi cunhada por um jornalista em 1988, e ele passou a vida corrigindo o mal-entendido.
- Tinha fama de duro, e há registro de pelo menos duas entradas que quebraram pernas de adversários, uma delas ainda nos juvenis, em 1962.
- Depois da eliminação na Copa de 1966 foi chamado de covarde pela imprensa. Quatro anos depois foi o cérebro do time de 1970.
- Nunca quis ser treinador. Virou comentarista de rádio e terminava as frases com um tá certo que virou marca registrada.
- Recebeu o título de sócio-honorário do Botafogo em 26 de junho de 2019 e chorou na cerimônia.
o alcance do lançamento de canhota
bicampeão carioca
a Taça Brasil, primeiro título nacional
gol e passe na final do Azteca
Heleno de Freitas
1939 a 1948
Atacante
Heleno de Freitas era bonito demais, culto demais e furioso demais para caber em qualquer lugar. Advogado formado, filho de família mineira, chegou ao Botafogo no fim dos anos trinta para substituir Carvalho Leite, e fez o que ninguém esperava de um substituto: virou o maior artilheiro que o clube tinha visto até então. São 233 jogos e 204 gols, a maioria de cabeça, número que ainda hoje o coloca entre os quatro maiores goleadores da história alvinegra.
Em clássicos foram 44 gols, sendo 22 só contra o Flamengo. Foi artilheiro do Botafogo em seis temporadas seguidas, de 1941 a 1946, e artilheiro do Campeonato Carioca de 1942. E, apesar de tudo isso, nunca foi campeão carioca com a camisa do Botafogo. É a contradição que define a vida dele: fazia gol como ninguém e vencia menos do que merecia.
As torcidas adversárias descobriram como atingi-lo. Gritavam Gilda, nome da personagem de Rita Hayworth no filme de 1946, misturando provocação sobre a beleza dele com provocação sobre o temperamento. Heleno respondia como respondia a tudo, brigando. Brigou com árbitros, com adversários, com companheiros de time e com a própria carreira. Uma vez apontou um revólver para o técnico Flávio Costa na Seleção. Usava éter e lança-perfume, e ninguém ao redor entendia direito o que estava acontecendo com ele.
Em 1948 foi vendido ao Boca Juniors por 600 mil cruzeiros, a transferência mais cara da América do Sul naquele momento. Marcou dois gols na estreia. Não durou. Voltou ao Brasil, ganhou seu único Carioca pelo Vasco em 1949 e jogou a última partida da vida pelo América, em 4 de novembro de 1951, expulso aos vinte e cinco minutos por xingar os próprios companheiros.
Só depois se descobriu o nome do que o destruía. Sífilis avançada, diagnosticada em 1954, quando já lhe comia o juízo. Foi internado em dezembro daquele ano numa casa de saúde em Barbacena, e ali ficou quatro anos, dez meses e vinte e cinco dias, até morrer em 8 de novembro de 1959, aos 39 anos, sozinho no quarto 25.
Em 1956 a delegação do Botafogo foi visitá-lo. Foi o único encontro entre Heleno e Garrincha, o craque que estava indo embora e o que estava chegando. Nilton Santos saiu de lá com uma frase curta e triste: ele falava muito em grandeza, não estava bem.
Armando Nogueira, que viu tudo, escreveu que Heleno ganhava partidas sozinho e as perdia sozinho, quase sempre vítima da batalha implacável consigo mesmo.
- Era advogado formado, coisa raríssima entre os jogadores da época.
- É o maior artilheiro do Botafogo em clássicos, com 44 gols, dos quais 22 contra o Flamengo.
- Foi contratado para substituir Carvalho Leite, o ídolo anterior do clube.
- Nunca foi campeão carioca pelo Botafogo. Seu único título estadual veio pelo Vasco, em 1949.
- Perdeu as Copas de 1942 e 1946 porque elas não aconteceram, canceladas pela Segunda Guerra.
- Sua última partida foi pelo América, em 4 de novembro de 1951, e terminou com expulsão aos vinte e cinco minutos por xingar os próprios companheiros.
- O filme Heleno, de 2012, com Rodrigo Santoro, nasceu da biografia Nunca Houve um Homem Como Heleno, de Marcos Eduardo Neves.
gols em 233 jogos
gols em clássicos
artilheiro do clube seis anos seguidos
a idade em que morreu, em 1959
Quarentinha
1954 a 1964
Atacante
O maior artilheiro da história do Botafogo não comemorava gol. Nenhum. Nem os decisivos, nem os de clássico, nem os que davam título. Waldir Cardoso Lebrêgo balançava a rede, dava meia-volta e voltava andando para o meio de campo, e quando perguntavam por quê, respondia com uma frase que explica tudo o que ele era: era pago para fazer, não para comemorar.
São 313 gols em mais de 440 jogos, entre 1954 e 1964. Ninguém chegou perto disso antes ou depois. Foi tricampeão de artilharia do Campeonato Carioca, em 1958, 1959 e 1960, três anos seguidos em que simplesmente não houve quem fizesse mais gols no Rio de Janeiro. Ganhou os cariocas de 1957, 1961 e 1962 e os Torneios Rio-São Paulo de 1962 e 1964.
O apelido veio de casa. O pai, Luís Gonzaga Lebrêgo, foi jogador e ídolo do Paysandu, conhecido como Quarenta desde a infância por causa do número de inscrição dele num internato. O filho chegou ao futebol paraense e virou Quarentinha antes mesmo de virar profissional.
Era ponta-de-lança de chute pesado de perna esquerda, e o Maracanã aprendeu a esperar aquele chute. Ali ele fez mais de noventa gols e é, até hoje, o maior goleador do estádio com a camisa do Botafogo. Nos clássicos foram dezessete contra o Vasco, catorze contra o Flamengo e dez contra o Fluminense.
A relação com a arquibancada era estranha e vale ser contada com honestidade: ele não era idolatrado como os números pediam, justamente porque não comemorava. O próprio clube reconhece que o hábito irritava a torcida. Era tímido, discreto fora de campo, avesso a festa, e num futebol que sempre premiou o gesto, ele se recusou a fazer o gesto. Fazia só o gol.
Em 1962 veio a mágoa que carregou pelo resto da vida. Cortado da Copa do Chile por problema nos meniscos, ficou de fora da seleção que foi bicampeã do mundo. Pela Seleção Brasileira tinha uma das melhores médias que um brasileiro já teve, com 17 gols em 17 jogos segundo os registros do clube, e mesmo assim nunca disputou uma Copa.
Morreu em 11 de fevereiro de 1996, aos 62 anos, no Rio de Janeiro. Em 2023, no dia em que ele completaria noventa anos, o Botafogo publicou nas redes uma frase só, em letras maiúsculas, que era tudo o que precisava ser dito: nosso maior artilheiro.
- Nunca comemorou um gol na vida. Dizia que era pago para fazer, não para comemorar, e o próprio clube reconhece que isso irritava a torcida.
- O apelido é herança do pai, ídolo do Paysandu conhecido como Quarenta, apelido que por sua vez vinha do número de inscrição dele num internato.
- É o maior artilheiro do Botafogo no Maracanã, com mais de noventa gols no estádio.
- Foi artilheiro do Campeonato Carioca três anos seguidos, em 1958, 1959 e 1960.
- Nunca disputou uma Copa do Mundo. Foi cortado da de 1962 por problema nos meniscos, e dizia que essa era a maior mágoa da carreira.
- Antes do Botafogo foi artilheiro do Campeonato Baiano de 1953, com 31 gols pelo Vitória.
- Tinha um segundo apelido, menos conhecido: Cabeçudo.
gols, o maior artilheiro do clube
artilheiro do Carioca três anos seguidos
gols no Maracanã, recorde alvinegro
gols em clássicos
Manga
1959 a 1968
Goleiro
Todo 26 de abril o Brasil comemora o Dia do Goleiro, e quase ninguém sabe por quê. A data existe porque é o aniversário de Haílton Corrêa de Arruda, o Manga, e foi deslocada para esse dia em 1976 especificamente para homenageá-lo. Não há elogio maior a um goleiro: virou a data de todos eles.
Chegou ao Botafogo em 1959, vindo do Sport, e tomou a vaga do experiente Ernâni. Ficou até 1968, com 442 jogos, quatro campeonatos cariocas, três Torneios Rio-São Paulo, duas Taças Guanabara e o Torneio de Paris de 1963. O clube não hesita em chamá-lo do melhor goleiro da sua história, e ele está no Time do Século do Botafogo.
Jogava sem luvas, coisa que hoje soaria loucura e naquele tempo era só o jeito dele. O preço apareceu nas mãos: terminou a carreira com todos os dedos tortos, nos dois lados, sequela de décadas de bola batendo forte. O clube trata as mãos deformadas como marca registrada, e é isso mesmo que elas são.
A parte que os manuais de goleiro não ensinam era a inteligência. Manga usava a reposição como arma tática: quando o Botafogo perdia, repunha rápido, lançando de mão até o campo de ataque para começar o contra-ataque antes de o adversário se organizar. Quando o Botafogo vencia, virava mestre da cera, e cada bola demorava um pouquinho mais para voltar ao jogo. Antes dos clássicos, provocava a torcida do Flamengo dizendo que o bicho já estava certo.
Teve o dia mais infeliz possível numa Copa do Mundo. Na de 1966, entrou no lugar de Gilmar contra Portugal e falhou no primeiro gol português, na eliminação do Brasil ainda na primeira fase. Foi sua única partida em Copas, e ele nunca fugiu do assunto, reconhecendo que esteve mal.
A resposta veio nos anos seguintes, longe daqui. Saiu do Botafogo em 1968 e ganhou tudo o que dava para ganhar no Nacional do Uruguai, incluindo a Libertadores e o Mundial de 1971, e depois foi bicampeão brasileiro pelo Internacional. Ganhou título em todos os clubes por onde passou, encerrou aos 44 anos e somou 27 anos de profissão.
Morreu em 8 de abril de 2025, aos 87 anos, de câncer de próstata. O velório foi no Salão Nobre de General Severiano, na casa dele, e o clube despediu-se dizendo que Manga deixava uma história de defesas inesquecíveis e muito amor pelo Botafogo.
- O Dia do Goleiro no Brasil é 26 de abril porque é o aniversário dele. A data foi transferida para esse dia em 1976 exatamente para homenageá-lo.
- Jogava sem luvas, e terminou a carreira com todos os dedos tortos nas duas mãos, sequela das pancadas de bola.
- Usava a reposição como tática: rápida quando o time perdia, lenta quando vencia.
- Sua única partida em Copas do Mundo foi contra Portugal, em 1966, com falha no primeiro gol e eliminação do Brasil na primeira fase.
- Depois do Botafogo ganhou a Libertadores e o Mundial de 1971 pelo Nacional do Uruguai, e foi bicampeão brasileiro pelo Internacional.
- Foi campeão em todos os clubes por onde passou, e jogou até os 44 anos, somando 27 anos de carreira.
- Ganhou duas Bolas de Prata da revista Placar.
jogos pelo clube
campeonatos cariocas
o Dia do Goleiro é o aniversário dele
anos de carreira
Túlio Maravilha
anos 90
Atacante
O Botafogo passou 27 anos sem título nacional depois da Taça Brasil de 1968, e o homem que quebrou essa espera chegou em 1994 e marcou três gols na estreia contra o América. Foi a torcida que resolveu ali mesmo como ele passaria a se chamar. Túlio Humberto Pereira Costa virou Túlio Maravilha e nunca mais foi outra coisa.
O ano de 1995 é dele e ninguém disputa. Foram 67 gols em 53 jogos, média de 1,26 por partida, número que fica acima do melhor ano de Cristiano Ronaldo e logo abaixo do melhor ano de Messi. No Campeonato Brasileiro foram 23 gols em 26 jogos, e a artilharia, e o título. Tinha sido artilheiro do Brasileirão no ano anterior também.
A final contra o Santos ficou marcada de um jeito que só o futebol permite. No jogo de ida, em 10 de dezembro, o Botafogo venceu por 2 a 1 no Maracanã. Na volta, no Pacaembu, aos vinte e quatro minutos do primeiro tempo, Túlio empurrou para as redes o gol que valeu o campeonato. Estava impedido, e todo mundo sabe, inclusive o site oficial do clube, que conta a história com essa frase no meio. O Santos empatou logo no começo do segundo tempo e o 1 a 1 bastou. Ele comemorou com um soco no ar, imitando Pelé.
Na volta ao Rio veio a imagem que virou patrimônio alvinegro: Túlio esticou a bandeira do Botafogo pela janela da cabine do avião, do lado de fora, e entrou no Galeão com ela tremulando. Vinte e nove anos depois, John Textor refez o gesto na chegada do time campeão da Libertadores, e ninguém precisou explicar a referência a ninguém.
Depois vieram outras passagens, o Torneio Rio-São Paulo de 1998, e a obsessão que o acompanharia pela vida inteira, a caça aos mil gols. Chegou lá em 8 de fevereiro de 2014, de pênalti, jogando pelo Araxá na segunda divisão mineira, com uma camisa 999 que ele trocou por outra, número 1000, no meio da invasão de campo. A marca é contestada, porque inclui amistosos e jogos comemorativos, e ele responde sempre da mesma forma, lembrando que polêmica também houve no milésimo de Pelé e no de Romário.
Segue por perto. Ganhou estátua no Nilton Santos em 2021, virou embaixador do clube em 2025 e hoje comenta futebol na televisão. Frases nunca faltaram: dizia que sua missão na Terra era fazer gols, que o gol era sua água, e que um dia seria verbete de dicionário. A torcida cantava outra coisa, mais simples, que ainda se ouve quando ele aparece: Túlio Maravilha, nós gostamos de você.
- O apelido nasceu na estreia pelo Botafogo em 1994, quando fez três gols contra o América e a torcida o batizou ali mesmo.
- Em 1995 fez 67 gols em 53 jogos, média superior ao melhor ano de Cristiano Ronaldo.
- O gol do título brasileiro de 1995, no Pacaembu, saiu em posição de impedimento. O próprio site do clube conta assim.
- Na chegada ao Rio com a taça, esticou a bandeira do Botafogo para fora da janela do avião. John Textor repetiu o gesto em dezembro de 2024, com a Libertadores.
- Passou a usar a camisa 7 em 1995 porque o SevenUP virou patrocinador do clube.
- Chegou ao milésimo gol em 8 de fevereiro de 2014, pelo Araxá, e trocou a camisa 999 pela 1000 no meio da comemoração.
- Ganhou estátua no Nilton Santos em 11 de junho de 2021 e virou embaixador do clube em janeiro de 2025.
gols no Brasileirão de 1995, artilheiro
gols em 53 jogos no ano de 1995
o fim de 27 anos sem título nacional
a marca que ele perseguiu a vida inteira
Loco Abreu
2010 a 2012
Atacante
Começou do jeito mais improvável possível. Em 24 de janeiro de 2010, na estreia dele com a camisa alvinegra, o Botafogo perdeu para o Vasco por 6 a 0 no Nilton Santos. Três meses depois, o mesmo time era campeão carioca, e o mesmo uruguaio tinha virado ídolo. É por isso que a história de Sebastián Abreu no Botafogo agrada tanto ao torcedor: ela tem exatamente o formato da vida alvinegra.
Foram cerca de 105 jogos e mais de sessenta gols entre 2010 e o começo de 2013, com o Campeonato Carioca de 2010, as Taças Guanabara e Rio daquele ano e a Taça Rio de 2012. E tem um número que talvez seja o mais bonito de todos: 41 gols no Estádio Nilton Santos, o que faz dele o maior artilheiro da história da nossa casa.
A tarde que ficou é 18 de abril de 2010, final da Taça Rio, Maracanã, Botafogo e Flamengo. Herrera abriu de pênalti, Vágner Love empatou no fim do primeiro tempo, e aos vinte e seis do segundo o Botafogo teve outro pênalti. Abreu pegou a bola. Diante de sessenta mil pessoas e de uma final, deu um toquinho suave por cima do goleiro, a bola subiu mansa, bateu no travessão e entrou. Doze minutos depois Jefferson defendeu um pênalti de Adriano e o título estava feito. O clube chama aquele dia, até hoje, de 18 de Abreu.
A cavadinha não era exibição, era método. Ele tinha aprendido vendo Djalminha, estudava o goleiro antes e escolhia o momento. Foi assim também no maior palco possível: em 2 de julho de 2010, nas quartas de final da Copa do Mundo, contra Gana, depois de Suárez salvar com a mão e ser expulso e de Gyan mandar o pênalti no travessão, Abreu pediu a Tabárez para ser o último batedor porque tinha reparado que o goleiro ganês sempre caía para a direita. Cavou. O Uruguai foi à semifinal, e a narração virou grito continental.
Chamam-no de Loco desde os tempos de vestiário, e ele explica que o apelido era sobre alegria, não sobre desequilíbrio. Levou a marca ao extremo: defendeu 31 clubes profissionais, recorde homologado pelo Guinness, sempre com a camisa 13, e trocou mais de mil e quinhentas camisas na carreira.
Parou de jogar em 2021 e hoje é treinador no México. Continua falando do Botafogo como quem fala de casa: diz que foi adotado pelo clube em todos os sentidos, que o Botafogo é sofrido e não tem jeito, e que quem sabe sofrer acaba curtindo. Na Libertadores de 2024, contava ele, os torcedores o abraçavam na rua como se ele tivesse feito um gol naquela campanha. De certo modo tinha.
- Estreou pelo Botafogo numa derrota por 6 a 0 para o Vasco, em 24 de janeiro de 2010. Três meses depois era campeão carioca.
- É o maior artilheiro da história do Estádio Nilton Santos, com 41 gols.
- O gol do título da Taça Rio de 2010, de cavadinha, bateu no travessão antes de entrar. O clube chama a data de 18 de Abreu.
- Aprendeu a cavadinha observando Djalminha, e pediu ao técnico Tabárez para ser o último batedor contra Gana porque tinha estudado o goleiro.
- Defendeu 31 clubes profissionais, recorde homologado pelo Guinness em maio de 2021. A Conmebol contabiliza 32, em onze países.
- Usou a camisa 13 a carreira inteira, e trocou mais de mil e quinhentas camisas com adversários.
- Depois do pênalti de 2010, contou que apareceram vários meninos batizados de Sebastián em homenagem a ele.
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campeão carioca, com a cavadinha do título
clubes na carreira, recorde do Guinness
o número que usou a vida inteira
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