Botafogo recebe o Santos nesta quinta às 19h30 no Nilton Santos
Jogo válido pela 19ª rodada do Brasileirão; Gazeta Esportiva reuniu transmissão, prováveis escalações, desfalques, arbitragem e retrospecto.
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★ História · o Glorioso por inteiro
escrito pela redação, no espírito de João SaldanhaO Botafogo nasceu duas vezes, e das duas vezes nasceu teimoso.
A primeira foi em 1894, à beira da enseada, quando um grupo de remadores fundou o Club de Regatas Botafogo e pendurou no peito uma estrela de cinco pontas que ninguém imaginava o tamanho que teria. A segunda foi em 1904, quando estudantes do bairro criaram o Botafogo Football Club para correr atrás de uma bola que acabava de chegar ao Brasil. Durante quase quarenta anos, remo e futebol viveram vidas separadas, vizinhas e alvinegras, até que 1942 os uniu de vez no Botafogo de Futebol e Regatas, sob a mesma estrela solitária.
O futebol começou vencendo cedo: o título de 1907, que o clube só teve reconhecido oficialmente em 1996, depois de longa disputa, porque até nos troféus o Botafogo gosta de uma história complicada. Mas foi 1910 que batizou a alma da casa: nove vitórias em dez jogos, 66 gols marcados, uma campanha tão avassaladora que a imprensa da época não encontrou adjetivo menor: Glorioso. O apelido pegou. O hino cantaria a data para sempre.
Nos anos 40, o clube conheceu seu primeiro príncipe e sua primeira tragédia na mesma pessoa: Heleno de Freitas, gênio de 209 gols que a guerra privou das Copas e a vida privou de tudo o mais. E então vieram os anos que explicam por que torcedor botafoguense olha para o passado com o peito estufado: a era de ouro. Garrincha driblando o mundo, Nilton Santos inventando uma posição, Didi regendo o meio-campo, Quarentinha empilhando gols, Zagallo correndo por dois. O time dos cariocas de 1957, 1961 e 1962 não era um time: era uma seleção com endereço em General Severiano, exportando campeões do mundo para 1958 e 1962.
A geração seguinte, de Jairzinho e Gérson, coroou a época com o primeiro título nacional, a Taça Brasil de 1968, com Zagallo no comando, agora de terno. E aí o Botafogo aprendeu a sua lição mais dura: a glória não é assinatura permanente. Vieram 21 anos de fila, de 1968 a 1989, uma travessia no deserto que os rivais cantaram e o torcedor engoliu em silêncio, sem nunca abandonar o estádio. Quando Maurício marcou o gol do título carioca de 1989 sobre o Flamengo, num Maracanã lotado, não foi um gol: foi uma devolução de dignidade.
Os anos 90 trouxeram o primeiro grito internacional, a Conmebol de 1993, com Carlos Alberto Torres no banco e o goleiro Bacana pegando pênalti como quem sabia da responsabilidade histórica, e o Brasileirão de 1995, ano em que Túlio Maravilha prometeu e cumpriu. Depois, de novo, o pêndulo: rebaixamentos, Série B, anos de vacas magras em que ser botafoguense virou exercício diário de fé. O clube caiu, subiu como campeão em 2015 com Jefferson no gol recusando propostas maiores, caiu de novo, subiu de novo campeão em 2021. Teimoso, como nasceu.
Em 2022, a virada estrutural: o futebol virou SAF e o clube ganhou fôlego para reconstruir. O que veio depois o mundo viu: em 2024, com um a menos desde o primeiro minuto da final, o Botafogo venceu a Libertadores em Buenos Aires e, oito dias depois, confirmou o Brasileirão na última rodada. A dobradinha que parecia impossível, no clube que fez do impossível a sua especialidade.
Essa é a história que estas páginas contam todos os dias: a de um clube que nunca foi o mais rico, nunca foi o mais protegido, e ainda assim colecionou gênios como nenhum outro e transformou sofrimento em identidade e identidade em orgulho. O Botafogo não se explica. O Botafogo se torce.
★ Hinos · a voz do Glorioso
o popular, o oficial e o do remo · ouça enquanto lêEm 1942, o radialista Heber de Boscoli convidou o maior compositor de marchinhas do país para criar hinos aos grandes clubes do Rio. Lamartine Babo aceitou, e conta-se que despachou as marchas dos clubes mais tradicionais num só dia, num surto de genialidade que o rádio eternizou.
O detalhe mais saboroso: Lamartine nem botafoguense era. O coração dele batia pelo América, e ainda assim ele entregou ao Glorioso uma das marchas mais queridas do futebol brasileiro.
Repare no verso de abertura. Lamartine escreveu "campeão desde 1910", celebrando a campanha de nove vitórias em dez jogos e 66 gols que fez a imprensa cunhar o apelido Glorioso. Depois que o título de 1907 foi oficialmente reconhecido, em 1996, a torcida passou a cantar 1907, e é assim que a arquibancada canta hoje. O hino mudou de data e o Botafogo ganhou três anos de glória de presente.
Duas curiosidades para fechar: apesar de ser o mais cantado, este não é o hino oficial do clube, e o Botafogo é o único carioca cuja marcha inclui a palavra "perder", porque só quem tem certeza de quem é canta a própria dor sem medo.
Hino oficial do futebol
O hino oficial de fato, com quatro estrofes, composto por dois nomes da música popular carioca. Eduardo Souto (1882 a 1942) foi maestro e um dos grandes compositores do seu tempo. Curioso destino: o oficial cedeu o lugar da arquibancada à marcha de Lamartine.
Hino do remo
O hino da origem: canta o clube de regatas de 1894, a enseada e a tradição marítima de onde veio a estrela solitária. Quase nenhum torcedor conhece, e é dele que o resto da história nasce.
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